sábado, 5 de abril de 2008

"Desculpe, só casais ou com cartão (do partido)!"

Acho muito bem que não se deixem entrar os senhores jornalistas no congresso do PSD Madeira. Em primeiro lugar porque essa utópica missão de reportar os factos para o exterior já está mais do que ultrapassada. Nas sociedades modernas já ninguém que se intitule jornalista se resume ao relato fidedigno do que se passa em determinado espaço e tempo. Até porque a verdade acarreta uma série de inconvenientes que podem ser uma espécie de mossazinha no guarda-lamas desse grande Rolls Royce novinho em folha que é o sistema político.

Ora como toda a gente sabe que amolgadela num carro de luxo é coisa que não existe, mais vale eliminar a própria sugestão do acontecimento, à partida.

Depois e ainda que não o tenham percebido, o facto do porteiro não os deixar entrar nessa grande discoteca laranja, alegando que não têm classe suficiente para ali estar ou que a entrada é só "para casais ou com cartão", acaba por ser uma vantagem: assim ninguém lhes pisa os pés na habitual dança das cadeiras, o que acaba por não levar à tradicional irritação, seguida dos habituais empurrões e palavreado em vernáculo habitual das favelas do Rio de Janeiro, que em última instância acaba no serviço de urgências do hospital mais distante (porque as urgências do mais próximo foram fechadas), onde dão entrada dois ou mais cavalheiros com um apêndice de vidro encorporado na caixa encefálica.

Para além de que é sempre constrangedor o chamado "enxovalhanço" em público. Imagine-se o antigo coliseu de Roma repleto de nobres, escravos e demais populaça. No centro do "ringue", apenas um gladiador a quem são puxadas as orelhas pelo imperador:

-Então é assim que se enfrenta um leão, ó meu nabo? Andas aí aos berros que nem uma menina de 12 anos! Foi assim que te ensinei?! Toma lá um calduço e vê mas é se afinas com voz de Barry White para chamar o bicho!

Ora, perante uma plateia de alguns milhares de pessoas, torna-se desconfortável para todos terem que assistir a uma cena deste tipo. Tanto para o mero espectador, como para o imperador e mais ainda para o enxovalhado gladiador. Às tantas até o leão se sente mal por não ter um adversário à altura...

Sendo assim, os jornalistas vêm salvaguardada a sua integridade física e moral, bem como aquela parte interior da orelha chamada tímpano. É certo que a comunidade fica privada de uns momentos de boa disposição, mas para isso também já existem canais temáticos.

Como diriam os americanos na sua infinita sabedoria empresarial, é uma situação "win-win". É só vantagens para todos!

1 comentário:

Ana Marques disse...

Várias considerações a fazer...

1 - É de louvar um jornalista que reflecte sobre o seu dia-a-dia, com tudo o que de doloroso e gratificante implica...

2 - PSD Madeira: está tudo dito! Ou não?

3 - Não te via assim tão íntimo com o atum mas admito que possa ser uma das contra-indicações desta profissão

4 - Também podemos contribuir com outras receitas que levem atum, mas sem pão?

Ana Marques

PS - Tiveste bem ontem no museu hein! Tu e os teus caracóis ;) LOL