terça-feira, 1 de abril de 2008

Levem-nos para o pátio!

Que se resolva no recreio! Desde o princípio dos tempos em que o homem não passava de um semi-macaco curvado que os problemas escolares com crianças se resolvem naquele vasto ringue educacional chamado pátio. O "Ugh" fugia da caverna de aulas para ir alimentar o Iguanossauro** com trevos de quatro folhas de dois metros, quando voltava, tinha a professora à espera com um bastão de granito na mão para lhe ser aplicado o respectivo correctivo em espaço aberto (no pátio) e em frente aos colegas, para que servisse de exemplo (e para gáudio da restante população escolar).

Mais recentemente, quando no corredor da escola o Tóino exige o dinheiro do almoço ao Zézinho, rematando a transacção com um "calduço" ou um simples pontapé na canela, o Zézinho espera calmamente pelo recreio, onde a determinada altura ele e todos os seus 38 primos ciganos saltam em cima do Tóino como se de um trampolim olímpico se tratasse. E tudo fica por ali...

Quando muito, um ou outro pai/mãe são motivados a ir à escola pelo olho negro do filho, que diz que o arranjou a fazer uma composição sobre as férias. Mas como a Lei Escolar e o Código de Honra entre alunos proíbe a chamada "queixinha", os culpados nunca são encontrados e tudo acaba em bem.

Ora quando uma professora subtrai o telemóvel a uma aluna em plena sala de aulas por alegado uso indevido do aparelho, em falta de concordância com o acto, a coisa devia ser resolvida no recreio. Acabe-se por ali a aula e toca a reunir no habitual "ringue da discórdia". Dado que as regras de combate não permitem a utilização de instrumentos de tortura ou sequer armas de fogo (a arma branca está lentamente a ser introduzida nos regulamentos), à partida, as condições são as mesmas para as duas concorrentes. Lutem! Esganem-se! Puxem os cabelos! Façam um festival da arroxada! Mas no final respeitem as regras e quem vencer leva o famigerado celular.

A vida é tão simples se nós deixarmos...

** Sim, eu sei que o homem e o dinossauro não são contemporâneos, mas permitam-me o salto temporal para motivos de ilustração mental.

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