Há artistas que por via familiar são já eles próprios estrelas da música assim que nascem. E basta apenas uma dúzia de anos para que os gemidos e guinchos dos inocentes petizes sejam registados em CD e vendidos às "pázadas" junto, com os do paizinho, ou então "ripados" para mp3 e passados entremãos tal qual prostituta gratuita numa orgia de empresários da noite. Mas também não é para falar de Enrique Iglesias que estou a gastar electricidade e a derreter a retina dos olhos.
Rod Stewart foi o autor de uma das mais miraculosas ressuscitações musicais de que há memória. Sejamos francos... o homem era uma nódoa enquanto músico. Daquelas de gordura que se agarram às melhores calças que temos e nunca mais saem, por muito Tide, Skip, Neoblanc ou sabão azul e branco que utilizemos. Enquanto "estrela pop" fez 23 álbuns... se os quiserem chamar assim. O "renascimento" deu-se em 2002. Não sei se o jovem Roderick morreu entretanto (não há registo de ter acontecido), mas o certo é que o cavalheiro reapareceu transformado. Às tantas, todos aqueles registos de raptos de extraterrestres são mesmo verdadeiros. Querem ver que levaram o homem e substituiram-lhe o cérebro por um de alguém que realmente pensa nas palavras que lhe trespassam os lábios? Atente-se numa das letras do rapaz na sua juventude...
And don't it seem like a long time
seem like a long time, seem like a long, long time
And don't it seem like a long time
seem like a long time, seem like a long, long time
And don't it seems like a long time
seems like a long time, seems like a long, long time
Por aqui nota-se que a dotação de massa cinzenta do então rapaz era algo deficitária. Daquelas pessoas que na distribuição dos cérebros ainda estavam na fila do cabelo.
Ora, em 2002, o senhor Stewart abandonou o registo pop (brega) e dedicou-se a um registo completamente novo (para ele). O swing. Tal qual milagre de Fátima, os céus abriram-se em regozijo, as populações louvaram os deuses, os prados encheram-se de flores... e o Rod fez alguma coisa de jeito. The Great American Songbook é o nome do milagre que ninguém julgava possível. O conjunto de álbuns com músicas de swing e jazz imortalizadas por lendas como Frank Sinatra, Ella Fitzgerald ou Louis Armstrong, ganharam casa nova na boca de Rod Stewart.
De besta musical a bestial artista em apenas 4 álbuns. Sim, ainda tem aqueles tiques meio "ai não me toques", mas perdoamos-lhe, porque o homem agora é um cantor! As letras e as músicas não são dele, mas essa é a grande vantagem: apenas tem de usar a voz. Só serve para provar que há artistas que mais vale não saberem ler e escrever...
Rod Stewart - You Go To My Head
Mais 2 milagres e o homem pode ser canonizado...

